ArcelorMittal vê leve alta em consumo de aço longo no Brasil em 2013

ALBERTO ALERIGI - Reuters FONTE: www.ESTADAO.com.br

A área de aços longos da ArcelorMittal prevê crescimento lento no consumo de aços longos no Brasil em 2013, em meio à redução no ritmo da construção civil residencial e planos de infraestrutura do governo que ainda não surtiram efeito importante no setor.

A companhia, maior produtora de aço do mundo, trabalha com um cenário de crescimento da ordem de 3,5 por cento dos aços longos neste ano, após alta de 1,5 por cento em 2012, que havia ficado abaixo da expectativa de expansão de até 6 por cento.

Segundo afirmou à Reuters o presidente-executivo da ArcelorMittal Aços Longos Américas, Jefferson De Paula, as vendas de aços longos da ArcelorMittal no país cresceram 2 por cento no primeiro trimestre, desempenho ligeiramente melhor do que a estimativa inicial da empresa, de estabilidade no período.

"Dois por cento não é muito (...) Mas estamos esperando um crescimento maior até o final do ano. O ponto mais baixo vai ser o primeiro trimestre", disse De Paula. A companhia conseguiu esse crescimento, mesmo após promover aumento de preços de 6 por cento em média no primeiro trimestre. Para De Paula, ainda é cedo para se pensar em novos reajustes. "A sobrecapacidade de produção no mundo é muito grande e os preços (de aço) ainda estão muito baixos no mundo inteiro." No primeiro bimestre, o mercado de laminados longos encolheu 1,2 por cento no país, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr).

"As medidas do governo para infraestrutura ainda não estão surtindo efeito, mas a partir de fevereiro, março, a indústria passou a demandar bem mais, enquanto a construção civil está igual ao ano passado (...) O segundo trimestre e o segundo semestre vão ser melhores", disse o executivo. No restante da região que administra, De Paula afirmou que estima crescimento no consumo de aços longos de 4 por cento na América Latina em 2013, enquanto Estados Unidos e Canadá devem registrar altas de 2 a 3 por cento.

MONLEVADE

O consumo aparente do Brasil crescendo menos que o esperado em 2012 não deu motivos para a ArcelorMittal prosseguir com os planos traçados em 2008 para duplicar a capacidade de produção de sua usina em João Monlevade (MG), para 2,4 milhões de toneladas. Em meados do ano passado, De Paula chegou a estimar que a empresa poderia divulgar a retomada do projeto orçado em 1,5 bilhão de dólares ainda em 2012, mas o anúncio ainda não ocorreu .

"A gente esperava que o Brasil cresceria, mas isso não aconteceu. Estamos acompanhando o mercado. Cem por cento do equipamento já está comprado e cerca de 90 por cento já está estocado no Brasil, só parte do alto-forno que ainda não está", disse o executivo.

"Quando fizeram o planejamento de dobrar a capacidade, o mundo era outro e a gente pensava que o Brasil cresceria muito mais do que está crescendo", afirmou De Paula, evitando fazer previsões sobre quando o projeto será retomado. Segundo ele, uma decisão de avançar com o plano precisa ser tomada com um ano e meio de antecedência. Perguntado sobre custos de manter os equipamentos parados no Brasil ou se a empresa poderia distribuir parte deles por suas unidades no país, de modo a melhorar a eficiência, De Paula comentou apenas que a companhia está trabalhando com mais de uma alternativa para o projeto.

"Estamos estudando há tempos o que podemos fazer de melhor para melhorar a rentabilidade. Comprar equipamento para não gerar valor, é lógico que não é bom. Mas estamos administrando isso."

Em fevereiro, o Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade afirmou que obteve documentos sobre plano estratégico da ArcelorMittal que apontavam para suspensão do plano de duplicação de aço bruto da usina, com a empresa optando apenas pela instalação de novo laminador que utilizaria insumos produzidos em outras unidades da companhia.

"Nós ainda não decidimos isso. Estamos estudando. Quando se estuda uma coisa, não se pode estudar só uma alternativa", afirmou o executivo. Ele afirmou, porém, que o Brasil segue sendo "área de prioridade máxima" na diretoria da empresa.

MARGEM EBITDA

De Paula afirmou que o foco da ArcelorMittal Aços Longos no Brasil está em manter sua participação de mercado de cerca de 30 por cento e melhorar a rentabilidade. A empresa está operando com 95 por cento de utilização de capacidade e em 2012 reduziu custos em cerca de 160 milhões de reais, num plano 300 milhões entre 2011 e 2014.

A capacidade da ArcelorMittal Aços Longos é de 3,8 milhões de toneladas.

De Paula informou que a estratégia gerou melhora na margem de lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização (Ebitda), que foi de 20 por cento no primeiro trimestre, mesmo nível apresentado pela rival Gerdau no Brasil no fim do quarto trimestre. Em 2012, a margem da área de aços longos da ArcelorMittal no Brasil foi de 17 por cento.

O executivo afirmou também que a margem da empresa nas Américas foi de 11 por cento no primeiro trimestre, com Argentina em torno de 15 a 16 por cento.

Por Alberto Alerigi Jr.